Dez anos de saudade, a presença viva de um mestre-Homenagem a Luís Maia

Desde muito jovem, Maia foi um homem ávido pelo conhecimento das humanidades, um humanista no mais profundo significado da palavra. Foi um estudioso entusiasmado da psicanálise e dos conhecimentos com que ela tem interlocução – a filosofia, a sociologia, as artes, a literatura -, do que serve como prova uma rica biblioteca, que ele ajudou a construir ao longo de sua vida e que encontrou lugar no Centro Jean Laplanche–Psicanálise, onde exerceu a psicanálise por mais de 30 anos.
Luís Maia nos atendia com a amabilidade que lhe era peculiar. Homem culto, ao ser procurado, gentilmente, sempre indicava entre suas estantes de livros onde encontrar o que seus colegas buscavam conhecer e os abastecia de outras alternativas indispensáveis ao conhecimento.
Português, escolheu como pouso e viveu a maior parte da sua vida em João Pessoa, onde exerceu a docência na UFPB e na vida: era um mestre na academia e para além dela.
Como professor, ajudou a transmitir e consolidar a Psicanálise dentro e fora da Paraíba. Como psicanalista fundou com outros colegas em 1995 a Sociedade Psicanalítica da Paraíba, um projeto por ele idealizado e sustentado ao longo de quinze anos (1995-2010). No ano de sua morte era o presidente da Instituição que ajudou a fundar e com a qual sempre estabeleceu uma relação de intenso investimento intelectual e afetivo.
Era um cuidador curioso das plantas, companheiras nos intervalos de seus atendimentos, multiplicadas nos jardins de sua clínica, provavelmente inspirando seu olhar para o potencial de vida ao seu redor: como via as plantas crescendo, se fortalecendo, encontrando seu lugar em solo fértil, temos a sensação de ser justamente assim que ele olhava para as pessoas, fossem elas pacientes, colegas e amigos.
A partir do verso de Pessoa – “Morrer é só não ser visto” -, pensamos  numa paráfrase construída pelo próprio Maia, que resume o nosso sentimento em relação a esse mestre generoso, com uma pessoalidade vivaz: “morrer é ser esquecido”. Maia será sempre lembrado, pois o vemos no que nos deixou. Portanto, não morrerá, nem em nós nem no legado de ensino, transmissão e produção teórica em torno da Psicanálise.
Por tudo isso, nossa homenagem a esse homem que dedicou a vida inteira a ser, essencialmente, um mestre no campo psicanalítico.

 

 

 

 

Sócias e Sócios da SPP
06 de novembro de 2020

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